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Última atualização: 20/12/2011


JORNAL RIOGASTRO - MES DEZEMBRO
EDITORIAL

INTELIGENCIA INTESTINAL
Sim, é isso mesmo, a capacidade de pensar, regular e secretar não são mais um privilegio do cérebro. Pesquisas revolucionarias, partindo da Universidade da Columbia, equipe liderada pelo Prof. Gershon, conseguiu demonstrar sem nenhuma duvida que o intestino dos seres humanos é dotado de um cérebro.
Essa notável descoberta cientifica permitiu explicar um dito popular, “sentir nas entranhas”, como uma explicação biológica, função do segundo Cérebro O INTESTINO.
O descompasso entre o primeiro e o segundo cérebro pode levar a queixas e sintomas digestivos, com grande sofrimento abdominal, até então ditos como neuróticos pelas suas freqüentes queixas de má digestão, prisão de ventre, diarréias, excesso de gases que logo serão chamadas de síndrome dispeptica ou intestino irritável.
O que já se sabe:
1- A serotonina, a substancia da felicidade, é secretada cerca de 8 vezes mais no intestino que no cérebro e tem uma íntima ligação com a depressão e as diarréias crônicas.
2 -A dopamina, também secretada no intestino, tem uma nítida relação com a ansiedade e um tipo freqüente de prisão de ventre e dispepsia.
3 -A PERMEABILIDADDE INTESTINAL é a função vital na ligação intestino/cérebro e na retirada do excesso de gases da combustão alimentar.
4 -O eixo cérebro, nervos autônomos, serotonina, dopamina, flora bacteriana é básico e fundamental a saúde e longevidade.
5 -A função intestinal é tão importante que sua minuciosa analise pode sinalizar
se a saúde vai bem ou não.
6 -Esses novos conhecimentos facilita o entendimento de Descartes “penso logo existo”. Ninguém pensa direito com a cabeça no mal funcionamento do intestino.
Em conclusão, é cuidando melhor do nosso tubo digestivo e entendendo a sua linguagem que retardaremos o nosso envelhecimento, mantemos nosso sistema imunológico e viveremos com melhor humor, felicidade e disposição.
ESSE É O PAPEL DA VERDADEIRA INTELIGENCIA INTESTINAL


Referências Bibliográficas
1- Gershan, Michaem M.D. O segundo cérebro Editora\Campus ,2000
2- Povoa, Helio- O cérebro desconhecido Editora Objetiva,2002


J.F.Penteado

 

Atualização

SINDROME METABOLICA/H.PYLORI

No flagelo da doença OBESIDADE cada vez mais vai se descrevendo outra síndrome paralela que é a METABOLICA, que significa deposição de gordura em locais específicos como o abdome, chamado de abdome em forma de pêra, no fígado e pâncreas (obesidade visceral, esteatose hepática e pancreática). Com o avanço dos exames de imagem cada vez mais vão aparecendo todas essas deposições da gordura o que preocupa os portadores.
Sabe-se hoje que essa síndrome metabólica é caracterizada por um conjunto de anormalidades metabólicas, que incluem hipertensão, hiperlipidemia (aumento gordura no sangue) e hiperglicidemia (aumento do açúcar no sangue), em combinação com a obesidade.
Esse estado aumenta em cerca de 25% o risco de arteriosclerose, que muitas vezes está também combinada com uma resistência insulínica e agentes infecciosos. Por outro lado sabe-se que existem praticamente dois tipos de esteatose visceral: o tipo METABOLICO, sem alterar a função hepática e o tipo chamado de NASH em que o fígado é invadido pela gordura encontrado nos alcoólatras e nas hepatites com maior ou menor grau de lesão hepática.
Ainda alguns estudos epidemiológicos relatam uma significativa ligação entre a infecção por Helicobacter Pylori e certos fatores de risco para doença cardiovascular sugerindo que a inflamação crônica causada pelo H.Pylori promoveria essas doenças. Os resultados de outros estudos, entretanto, não conseguiram confirmar essa conexão, essa relação continua controversa. Alem disso, o impacto do H.Pylori na síndrome metabólica ainda não foi bem comprovada.
Foi, então, estudada a associação na grande população japonesa entre abril de 2006 e março de 2007, sendo avaliados ao todo 5.488 homens e 1.906 mulheres em um estudo transversal comparando a síndrome metabólica, com a soropositividade para o Hpylori, níveis pressoriais, valores de HDL e LDL, realizado no Centro de Medicina Preventiva do NTT Kanto, em Tóquio. As conclusões foram:
1- Conhecimento Atual: a associação entre a síndrome metabólica e o HPylori é controversa;
2- Novos Achados: a infecção pelo H.Pylori foi positivamente associada a síndrome metabólica numa grande população japonesa (7394 pessoas);
3- Logo, a erradicação do Helicobacter Pylori pode se justificar na prevenção da síndrome metabólica, (dados da população japonesa).

Ref: Toshiaki Gungi,M.D. et al.Infecção por Helicobacter pylori/Sindrome Metabólica.Am.Journal of Gastroenterology, Fevereiro 2009


Prof. José F.Penteado